segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Tempestade na Represa



Essa foi uma daquelas que a gente não acredita de como entrou, mas é totalmente real...

Bem vamos lá...

Nessa época eu morava em Juiz de Fora uma cidade mineira famosa por ser Carioca ou assim os mineiros de Belo Horizonte pensam...

Mas tava lá de bobeira nas férias de julho de 1977, após terminar as aulas quando chegou Meneguete. Meneguete era um colega que morava na mesma rua trazendo Vantuil, outro colega me convidando para irmos passar o fim de semana na sua granja as margens da represa de Juiz de Fora, beleza eu e Sérgio estamos dentro... (Sérgio era meu Irmão).

E ai fomos... mochila nas costas esperar a marinete, marinete mesmo, um lotação velho que passava uma vez por dia às 08:00 horas da manhã no ponto em frente a estação Mariano Procópio.

Fizemos sinal e a marinete parou, oi seu Zé tudo bem, perguntou Meneguete...

Cês vão pra sua granja ??

Vamo ...

Oia o tempo não ta muito bom, ces tão sabendo que se chuve eu não subo...

Tudo bem... não vai chuve não seu Zé vai dar tudo certo, falo Mené.

Neste ponto eu já fiquei meio desconfiado, mas o dia estava bonito não tinha nuvens no céu...vamos lá...

Embarcamos, Eu, Sérgio, Vantuil e Meneguete... todos na Marinete (rimou).

Para quem não conhece a represa de JF, ficava, na época, muito longe da cidade e era permitida a visitação e passeios de barco, até onde eu sei hoje isso foi proibido e um belo cartão postal de JF foi abandonado. Para chegar lá tinha evidentemente (tem morro em Minas, sô) que subir uma serra já que a represa fica num nível muito mais alto que a cidade, contida pela serra.

O passeio foi agradável, morro acima numa estradinha de barro batido muito verde e contrastando com o azul do céu... Tudo lindo até ai...

Chegamos e nos despedimos do se Zé e seu cigarro de palha, impressionante ele foi da cidade a represa pitando o mesmo cigarrinho...

A represa estava linda refletindo o céu azul as árvores .... etc....

Eu e Sérgio estávamos mais acostumados ao mar, mas a água doce era gostosa e passamos boa parte da manhã nos refrescando e pescando lambari e assando na fogueirinha, ali mesmo. sabeeee... muito gostoso.

Bem ai... Vantuil viu a canoa...
Alá pessoal vamos pedir emprestado a canoa pra dar uma voltas na represa??

Meneguete falou... A canou é da Dona Zefinha... amiga do meu pai podemos pegar a vontade ela não vai achar ruim não...

Bom foi ai que as coisas começaram a dar errado...

Entramos os quatro na canoa e fomos remando ou melhor empurrando com uma vara a canoa que se deslocava cada vez mais distante. A represa devia ter uns 2 km de largura e quando estávamos exatamente no meio deu-se o fato...

O tempo subitamente virou, virou mesmo acho que as nuvens estavam escondidas do outro lado da serra e chegaram com tudo. O céu de azul ficou avermelhado e um vendo forte começou a soprar fazendo a canoa rodar no seu eixo com os quatro patetas dentro.

Ai começou a chuva... Granizo... cada pedra... pessoal não dá pra agüentar vamos pular na água comentei e assim fizemos a água quentinha deu até um relax mas as pedra continuavam a cair cada vez mais forte..., vamos virar a canoa e entrar em baixo alguém comentou... e assim fomos... o barrulho era terrível, parecia que as pedras iam fura a canoa....

Imagine a cena naquele momento... eu debaixo da canoa, dentro da água, segurando nos banquinhos com mais 3 caras tentando não afundar... olha... nessa hora me lembrei tanto da minha caminha quente e da mamãe...

Mas vamos lá não tinha jeito, pessoal vamos nos organizar batendo os pés rumo à margem pelo menos não ficamos parados aqui de bobeira...

E assim fizemos, que cena... uma canoa emborcada dentro d’água, andando sozinha para margem...

Mas chegamos, chegamos do outro lado da margem em que ficava a casa... o granizo parou agora era uma chuva pesada cada pingão...

Cansados e sem disposição iniciamos a marcha rumo ao outro lado dando a volta na lagoa, já que pela água não dava... e assim fomos andando uns 2 km ainda faltava muito... a chuva parou, bom ??? não um sol de montanha saiu quente... junto com ele veio uma onda de mosquitos e formigas voadoras perturbando nossa marcha...

Finalmente 2 horas depois... casa a vista e... olha que estava nos esperando ??? Dona Zefinha P. da vida que foi logo dizendo...

cadê minha canoa seus minino atoa pega as coisa dos outro sem pidi...

Meneguete se apresentou bravamente e explicou a situação ... mas não teve jeito tivemos que voltar tudo e pegar a canoa... bem ai retornamos até que a volta foi fácil... mas a hora já estava chegando... tinhamos de pegar a marinete as 18:00...

Após a correria de guardar tudo chegamos ao ponto... e cadê a marinete??? Lembra se chuve eu não subo... e não subiu mesmo...

Resultado tivemos que passar a noite na caso do Meneguete, sem comida, café e o mais terrível SEM TELEVISÂO A NOITE...

Essa foi uma furada, mas têm outras... Oportunamente vou contar...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A Couve-Flor da Dona Norma




Hoje acordei com saudades do passado, acho que é por que estou me aproximando dos cinqüenta, estou meio nostálgico, coisas da idade... .

Bom um fato é que quando estou com saudades do passado lembro logo de um belo prato feito pela dona Norma.

Dona Norma para os que não sabem ainda é minha digníssima Mãe. Mãezona daquelas de antigamente que se dedicava exclusivamente a casa ao marido e filhos, principalmente a estes. Hoje com os filhos criados e distantes ela tornou-se uma eximia pintora de porcelana e até já ensaiou uns passos na Internert.

Dona Norma faz muitos pratos deliciosos, mas um em particular me deixa com água na boca e saudades, a Couve-Flor a Milanesa. Para alguns um prato simples, mas de uma consistência e sabor inigualável principalmente quando feito por ela.

Como moro atualmente na maravilhosa cidade de Aracajú, Capital da Qualidade de Vida, com certeza, tenho apenas uma desvantagem...

Couve-Flor no Nordeste é cara e não tem a qualidade das produzidas nas serras do Estado do Rio ou Minas, onde passei grande parte da minha infância, assim fico na saudade, e quando vou visitá-la em Juiz de Fora, tiro a barriga da miséria.

Mas vamos ao prato...

Peque uma Couve-Flor da Serra, falo da serra porque uma unidade pode pesar até dois quilos fácil,

Lave bem com água corrente, tirando as folhas (tem gente que come as folhas também, mas eu nunca experimentei), cuidado, pois costuma ter umas lagartinhas...

Separe os ramos grandes dividindo o vegetal, ponha numa panela com água e um sal a gosto e deixe cozinhar por alguns minutos, cuidado não pode ficar muito mole senão desmancha na fritura.

Prepare os ingredientes comuns para milanesa, ovos, farinha de rosca, etc.

Após o cozimento passe os ramos no ovo, na farinha e frite em uma frigideira velha e feia, com muito óleo de milho, escora e um recipiente coberto com papel toalha (na época minha mãe usava papel de pão) sirva ainda bem quentinha.

É mais ou menos isso, mas para mim o importante é a lembrança da infância, dos tempos de menino, quando eu e meus irmãos ficávamos horas em cima do telhado de casa olhando para o céu a procura das pipas nos dias de vento quando ouvíamos aquela vozinha lá em baixo chamando...

Meninos... O almoço ta na mesa...

sábado, 22 de agosto de 2009

A Noite dos Caranguejos

Estou morando e espero continuar a morar, em Aracaju, uma cidade linda e agradável, com características únicas, que oportunamente comentarei, mas o fato é que um dos pratos mais apreciados aqui é o caranguejo cozido na água, sal e temperos.

Frequentemente vou ao Amanda, um barzinho legal na Orlinha e com Ana (minha metade) peço uns bons exemplares para degustar com uma cerveja de marca GELADA. É um típico programa de quinta-feira à noite, não sei por que da quinta, mas é o fato.

Cada vez que saboreio um desses crustáceos, me vem à lembrança mais uma das minhas memórias passadas na cidade do Rio de Janeiro, onde nasci e permaneci até meus 14 anos. Uma delas envolve vários elementos dessa espécie tão apetitosa, mas também bem perigosa se não tratada com cuidado.

Um dia fui com meus amigos e seus pais a uma pescaria, frequentemente, íamos a Restinga da Marambaia um paraíso freqüentado por poucos já que era uma base da marinha, sendo o pai desse meu amigo da aeronáutica tinhamos acesso e podíamos entrar. Não sei se vocês conhecem o lugar é fantástico, de um lado o mar azul e límpido do outro um mangue repleto de canais onde proliferam ou proliferavam (não sei mais como está já que há muito não tenho noticias do lugar) peixes, camarões, siris, caranguejos e outros frutos do mar.

Bem foi lá que conhecemos Neraldino. Neraldino era um pescador de caranguejo que burlava a fiscalização da marinha e entrava por traz do mangue nadando para obter seus preciosos pescados. Naquele dia Neraldino pegou um saco repleto do crustáceo e como a maré estava cheia não havia possibilidade de ele passar com o saco e nadar para atravessar o canal que separava a restinga do continente, assim ele ofereceu o saco completo de 50 quilos com aproximadamente 100 caranguejos para o pai do meu do meu amigo (seu Vicente).

Feito o negócio nos dirigimos a casa da praia que ele possuía em Sepetiba, outro lugar que aproveitei muito e que não mais tenho notícias. Bem lá chegando após muita diversão o saco foi deixado de lado num dos quartinhos, onde as tralhas de pescas eram guardadas, esperando o próximo dia quando em fim os mesmos teriam como destino o caldeirão do Moa (Moa de Moacir, irmão do pai do seu Vicente).

Noite cai, sono, cansaço de folia de praia, colchões pelo chão... E por volta das cinco da manhã , sinto algo a me beliscar no nariz, bato , mexo, viro, mas nada, cansadamente, abro os olhos e no susto grito... UMA ARANHA GIGANTE, CUIDADO..., com meu berro de susto todos acordam e a cena é no mínimo curiosa, os bichinhos se soltaram da sua prisão durante a noite e invadiram nossos quarto, era caranguejo para todo o lado, nas camas, trepado nas cortinas, no armário, sofá e até em cima da TV. foi realmente uma manhã inesquecível e agitada. Há... após o recolhimento o caldeirão do Moa foi pro fogão
com os fujões.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O caso da velhinha.



Logo que chequei a um das novas empresas do grupo que trabalhava, deparei-me com um caso que achei muito peculiar. Nessa empresa em particular a agência de atendimento ao consumidor, ficava dentro da própria sede. Assim todos os dias uma série de consumidores passavam por ali solicitando os mais diversos serviços de atendimento comercial.

Minha sala era um pequeno aquário recuado, de onde eu podia contemplar todo o movimento de entrada, saída e de atendimento aos clientes. Assim comecei notar que uma determinada senhora, quase todos os dias estava presente na nossa agência de atendimento e comecei a ficar curioso com o fato, o que essa velhinha tanto tem a pedir ou resolver na empresa, será que é algum problema mais sério ? Será que seria a intervenção da ouvidoria?

No final desse dia chamei a chefa da agência de atendimento e perguntei sobre o fato:

- Eladir, reparei que tem uma senhora que todos os dias vem a nossa agência, qual é o problema que a traz todos os dias aqui ? Não estamos podendo resolver?

- Não é problema não, essa é dona toinha, ela vem aqui bater papo, tira uma senha de atendimento, fica esperando e quando é atendida, dana a falar com o atendente, conta casos e pergunta da vida de todo mundo, depois vai embora;

Preocupado com a eficiência não tive dúvidas;

Eladir, faça o seguinte essa senhora esta prejudicando nosso atendimento, em função do seu bate papo, outros clientes que realmente necessitam de atendimento não estão sendo ouvidos dentro do prazo esperado, não podemos continuar atendendo dona Toinha. Assim quando ela vier, registre a senha dela e passe sempre para o próximo cliente;

No dia seguinte, Eladir não teve dúvidas dona Toinha, como de costume apareceu para bater seu papinho tradicional com as atendentes, Eladir verificou a senha de atendimento e passava sempre para o próximo cliente quando deixando-a esperando.

Achei que essa medida iria resolver problema e quando vi através do meu aquário que tudo ia andando bem, resolvi verificar a chegada de uns equipamentos de medição e me retirei da sala.

Trinta minutos depois Eladir entra pela sala onde me encontrava, branca e apavorada....

Dr. Vinicius... dona Toinha ta passando mal, ela reclamou que esta demorando muito a ser atendida e começou a ter um treco, o que fazemos ?

Preocupado que a velhinha tivesse um enfarte na agência não tive dúvidas, Eladir chame um táxi que presta serviço para a empresa coloque dona toinha no carro e a encaminhe para casa.

Feito isso e passado o problema momentâneo achei que o caso estava resolvido, achado que depois do ocorrido dona toinha não iria mais aparecer..., ledo engano....

No dia seguinte, lá estava dona toinha como sempre alegre e saltitante, esperando a agência abrir, para efetuar seu papinho diário.

Chamei Eladir e pedi;

Chame dona Toinha a minha sala que eu vou conversar com ela;

Serelepe e feliz dona Toinha adentrou no meu aquário, fechei a porta e comecei a conversar, ou melhor, a ouvir, ela falou cerca de meia hora, de tudo, menos de alguma necessidade real em relação a empresa, assim comentei com ela que ela seria sempre bem vinda a minha sala, e expliquei que o atendimento comercial não podia ficar ocupado por assuntos divergentes da função original, etc.. etc... etc....

Ela me ouviu com atenção afirmou que entendeu tudo, e por final disparou... é tá até na minha hora, o cê já chamou o táxi pra me levar ???

Quer mais ???

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Meu Ovo Frito

No outro dia eu estava lembrando da minha infância e recordava de muitas das minhas brincadeiras e travessuras, como estava na cozinha preparando um lanchinho lembrei de alguns pratos muito saborosos que minha mãe fazia entre eles o singelo, mas fundamental, ovo frito.

Curiosamente percebi que o ovo em meu sanduíche caseiro não tinha o mesmo paladar do ovo frito de outrora. Por que seria? Bem galinha sempre foram galinhas, ovos sempre foram ovos, mas... será mesmo?

As galinhas de antes não recebiam tantos hormônios como hoje na verdade elas eram criadas de forma diferente, mesmo as de granja não eram fabricadas como hoje em dia, digo, fabricadas, por que vi em um programa, agora não me recordo muito bem qual, uma granja fantástica que do pinto ao ovo tudo é automatizado. Mas, voltando ao assunto o que faltaria em meu ovo frito para ficar como o da minha querida mãe.

Pensei em ligar, mas achei que seria de mais, às 22 horas ligar para perguntar sobre ovo frito!

Refleti como eu fiz meu ovinho... Há minha frigideira anti-aderente uma gotinha de manteiga só para tostar e um pitadinha de sal, fogo baixo e logo o requintado prato esta pronto.

Então comecei a lembrar de quando minha mãe me ensinou a fazer os primeiros ovos fritos...

Ovos, comprado na quitanda do seu Joaquim, de 12 pelo menos dois se estragavam, coisa que não vejo hoje... Estranho não?

Frigideira... Era de chapa de ferro preta e feia, funda e grande...

Manteiga, que nada, banha de porco vendida em lata, uma colher de sopa cheia...

Fogo, médio de um fogãozinho com gás de bujão comum.

O preparo era básico... , deixa a frigideira esquentar um pouco, joga a banha de porco espera derreter, quebra o ovo num pires, pra ver se está bom, jogas na frigideira, uma pitada de sal em cima da gema, e com uma colher vai pegando a banha derretida e jogando em cima do ovo... Ai a gema vai ficando branquinha e vai cozinhado quando estiver no ponto é só tirar, nada de agarro a banha não deixa.

Lembrado do tema, vamos a prática. Como não tinha banha de porco derreti na minha super-frigideira de Teflon II um pedaço de toicinho peguei uma panela velha e nela joguei a gordura derretida, aqueci um pouco e coloquei o ovo, o sal e com uma colher fui trabalhando a cor da gema jogando a gordura em cima até ficar assim meio desbotada.

Primeira dentada.

Há... , outra coisa...

Saudável, acredito que não, calorias umas 5.000 no mínimo...

Mas o sabor nem dá pra comparar, coisas da infância, cujo valor não tem medida nem receita e sim boas lembranças.