quinta-feira, 12 de novembro de 2009

DONA NORMA



Dona Norma, essa Teresopolitana, que morre de medo de pererecas (acho que e trauma, pois em Teresópolis tinham muitas), nascida no dia 13 do mês de novembro é minha querida e estimada mãe.

Em algumas das minhas crônicas ela tem passagem relâmpago, mas hoje decidi escrever mais um pouco sobre essa pessoa tão importante para mim e muitos outros.

Difícil dizer a primeira lembrança real e palpável que tenho dela (dentro da barriga não conta), mas uma delas é guando ela recolhe com carinho meu irmão mais novo (Sérgio) coberto de pó de café após ter derrubado um pote inteiro, em cima dele mesmo ao puxar a toalha da mesa (acho que foi isso) eu só me lembro de uma coisinha preta com dois olhinhos brancos assustados sendo levado para o banho, o fato me marcou...

Da porta do banheiro observava minha mãe pacientemente retirando as roupinhas e lavando aquela criatura com cuidado e um sorriso de quem, apesar do susto, se divertia com a situação. Acho que eu devia ter uns quatro anos ele três anos.

Mais tarde outra lembrança marcante foi ela perguntando a mim e ao Sérgio se nós não gostaríamos de ganhar um novo irmãozinho, importante era que nós negociamos... Mas ele vai brincar com a gente? É menino?

Acho que ela já devia estar quase para ir para a maternidade, pelo o que lembro logo ele veio... Márcio meu segundo irmão...

Dona Norma sempre foi muito amorosa e dedicava-se a seus filhos em tempo integral. Muito alegre, ela sempre estava rindo e de vez em quando, aprontava uma conosco, pregando alguma peça.

Mas também foi exigente... Lembro dela dando umas boas palmadas no meu traseiro, só porque fiz uma pirracinha na rua...

Lembro dela me tomando a tabuada, na soleira da porta da cozinha da nossa casa no bairro Jabour, e braba... porque eu não me concentrava...

Lembro de muitas e muitas coisas das comidinhas, das roupinhas que ela bordava e eu ia entregar, dos seus cuidados quando adoecíamos, dos passeios de fusca com toda a família, cachorro quente na Restinga, pescaria no mangue..., muitas e muitas idas a Petrópolis, nossos primeiros passeios de fusca a Brasília, Curitiba, Juiz de Fora, Belém, Manaus, etc. Nestes passeios ela era sempre a mais animada puxando sempre o barco.

Não sei se ainda existe isso, mas no meu colégio sempre havia uma festinha no dia das mães, os meninos e meninas se esforçavam a fazer um presente, com as próprias mãos, simples e baratinho já que os tempos eram outros... e a escola era pública.

Um pente, um grampo de cabelo decorado e personalizado, que não só dona Norma recebia com alegria e com lágrimas nos olhos, mas também todas as mamães ali presentes.

Já nessa época era metido a escritor, lembro de uma redação que fiz e li para a classe no dia da festa, e que falava sobre a delícia do seu franguinho assado... Como podem ver eu já gostava de escrever sobre comida.

Lembro de momentos não muito agradáveis, como a batida com o fusca novo no muro da Dona Janete (outra grande mãe), do acidente na Serra de Petrópolis, das inúmeras vezes que ela me levou para o pronto socorro, quando eu furei o dedo da mão, o pé, o olho (poxa eu não era mole hem?), mas também teve meus irmãos igualmente socorridos.

Após muitas e muitas aventuras juntos, Dona Norma aos 42 foi novamente premiada e nasceu o Dr. Carlos Eduardo, doutor porque nesta época, eu já tinha 22, ela queria que ele fosse médico, dai o nome pomposo, segundo ela, esse era um nome de médico (o mesmo eu quis para os meus filhos, também sem sucesso), mas acabou Dr. Advogado e Raphael, meu primogênito, esta indo para o mesmo caminho.

Como eu era o filho mais velho e único com carteira de motorista, essa época foi muito curiosa, meu pai trabalhando e eu levando minha mãe de barrigão, para fazer exames, num Passat Vermelho Real (Abobora) - Super Incrementado (lindão).

Bem e assim foi...
Escrevendo sobre dona Norma percebo que escrevo um bocado sobre eu mesmo, é difícil de separar, mas a vida anda...
Com 27 aninhos casei com minha metade, Ana Cristina, e ela estava lá, firme me levando ao altar, toda bonitona. Acho que com o casamento, acrescentei uma tão esperada filha, a vida dessa mãe, além de três lindos netos (modéstia a parte claro).

Hoje estamos todos longe dela, ela morando em Juiz de Fora, eu em Aracaju, nosso saudoso Sérgio partiu. Márcio e Carlos Eduardo em São Paulo e infelizmente eu não poderei estar presente para dar um apertado abraço de Feliz Aniversario neste dia 13 de Novembro.

Dona Norma postei este texto no meu Blog, neste dia, para homenageá-la e agradecê-la. Sei que é muito pouco pelo muito que você fez e faz até hoje, pelos seus filhos, noras, netos, sobrinhos, irmãos e todos que de uma forma ou outra tiveram e tem seu carinho, amor ou amizade.

Um grande abraço apertado, muitos beijos e carinho neste dia tão importante para todos.

Do seu filho, da minha família e com certeza de todos os seus filhos que estejam onde estiverem, estarão sempre ligados a você.

Marcus Goettenauer.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Meu Tio Jorge



Tenho muitos tios gosto de todos, assim que os outros não fiquem com ciúmes, logo posso escrever sobre você... Tio Ciumento, mas sempre, por vários fatores, lembro muito do meu tio Jorge.

Mas voltando a ele... Tio Jorge é um cara muito legal... ele é um dos irmãos mais novos da dona Norma, tem o Sérgio, outra figura, assim minha diferença de idade com ele deve ser de uns 10 anos. Lembro bem dele visitando nosso apartamento no Meier , bairro do RJ onde nasci, fazendo estripulias lá em casa comigo e os manos. I
amos pegar peixinhos no lago do jardim, catar canudo de mamona para fazer bolinhas de soprar coisa de uma infância inocente e feliz que acho que não existe mais...

Uma vez teve um terremoto... é um pequeno tremor de terra, e o prédio, deu uma leve sacudida isso foi nos anos 60 hem!!! faz tempo mais ocorreu...

Lembro que os vizinhos ficaram todos alvoroçados e Jorge não podia deixar passar, apavorou mais a todos, disse que estava dormindo e a cama dele foi atirada do outro lado do quarto, foi um espanto só, mentira... ele nem percebeu, mas rimos muito... principalmente da Dona Dalila, uma vizinha muito gente fina, mas muito assustada.

Bom, ao longo da minha vida tenho acompanhado a vida dele, fui até ao seu casamento com a tia Glória, uma mineirinha de Mar de Espanha, que acabou em Petrópolis, alias Jorge e a maioria (ou todos) os meus parentes moram em Petrópolis ou Teresópolis.

Mas... Há!!! O ponto forte da Festa foi o bolo todo furado pelos sobrinhos queridos, Sergio, meu irmão, Serginho, Sheilinha, Marquinhos (Eu ? será que tava nessa ??)...

Bem, Jorge teve muitas profissões, foi soldado no glorioso batalhão, onde sua principal atividade era se clone do Elvis Presley, é o cara não era fraco não, ligado na onda, o comandante o chamava para animar as festas e parece que ele levava jeito para o negócio.

Depois, pelo que sei, ele foi trabalhar na Gráfica Petrópolis, onde ficou muito tempo. Posteriormente ele arranjou com Guedes, não sei quem é Guedes, mas sempre ouvi falar nele em frases assim, já arranjou um emprego com o Guedes ??? e Guedes ?? essa figura é um mistério...

Bom ele foi trabalhar numa funerária, imagina Jorge numa funerária, era motorista, guarda, etc. Suas histórias sobre essa etapa da vida dão para escrever um livro, muito engraçado, e às vezes, muito triste.

Em um episódio, ele conta que em num enterro no cemitério de Petrópolis, o caixão escorregou morro abaixo e lá se foi o indivíduo surfando na lama até a cova mais baixa, noutra, ele conta que trazendo uma “encomenda” do Rio para Petrópolis, na madrugada, no meio da serra, ouviu ruídos na parte de traz do carro onde estava alojado o dito cujo e não teve dúvida, subiu a serra a 100 por hora sem olhar uma vez para traz.

Depois foi transportar meninos de um colégio, mas acho que ele não gostou muito... eles faziam muito barulho.

Hoje Jorge está aposentado, mas como todo bom aposentado, continua trabalhado muito, dizem que virou um pintor de primeira linha (informação confiável de dona Norma), mas o seu principal mérito, foi de apesar de todas as dificuldades por que passou manter-se íntegro, construiu uma linda família com sua mineirinha, tiveram quatro filhos, três meninas (Cristina, Elizabete e Víviam) e um rapaz (Jorge Augusto), meus primos, e que devem ter como eu, muito orgulho do Tio Jorge.

sábado, 17 de outubro de 2009

Re-Evolução - Capitulo 2 - Primeiros Sinais


- Cratera Lunar I – 23 – 06/06/2033 DC.

O apesar da refrigeração automática, o suor escorria por dentro do traje, a mineração exigia um esforço muito grande, o equipamento era bom, porém pesado, mesmo nas condições gravitacionais atuais. A extração de ouro era lucrativa, mas com custos elevados, a nova fronteira de exploração exigia força, resistência e muito conhecimento técnico. Por um minuto Alam descansou o braço da perfuratriz, e lembrou-se de como tinha vindo parar ali, no fundo de uma cratera lunar em pleno mês de julho.

Após a desmobilização armada do ocidente, em 2015 a exploração espacial retornou a sua plenitude. Com a descoberta de ouro no fundo da cratera lunar Newton, pela sonda francesa Sarcozy I, diversas empresas privadas lançaram-se na pesquisa espacial objetivando simplesmente o lucro, e o que a princípio era apenas uma descoberta cientifica, tornou-se, com confirmação da existência de várias jazidas, numa nova forma de negócio, a mineração lunar, o que levara anos a ser desenvolvido pelos governos, foi rapidamente melhorado e superado pela iniciativa privada, afinal o espaço e o lucro eram livres.

Alam era um desses novos desbravadores, após dar baixa da força aérea, tinha o perfil ideal para esse novo tipo de minerador, possuía o conhecimento técnico de pilotagem de jatos supersônicos de combate, era arrojado e ambicioso, tudo que a Moom Mineral Company , desejava. Após alguns exames e acertos financeiros já estava abordo de um dos veículos de transporte da DELTA, uma evolução dos antigos ônibus espaciais, especializados em transporte de pessoal e equipamentos entre a terra e as estações de adaptação em orbita. A New-Sonny , era uma estação particular turística, arrendada pela MMC , dali, após alguns dias de treinamento, embarcou junto com o resto da equipe no LANCER, um veículo de transporte capaz de realizar as viagens entre as estações em órbita da terra e a lua, pousando diretamente nas estações da superfície lunar.

A superfície rochosa da cratera assemelhava-se a um funil invertido, e lá no fundo estava ele, 50 metros abaixo da superfície, com seu equipamento de trabalho, que incluía além da perfuratriz manual, um pequeno veículo de transporte, apelidado pelos mineradores de JETBOL, já que era similar a uma esfera com jatos de controles externos, que permitiam o deslocamento através de propulsão química.

Alam, vamos voltar ao trabalho..., pensou consigo mesmo, e assim engatou a marcha da sua perfuratriz e direcionou a broca para uma formação rochosa que parecia promissora, o feixe de laser, iniciou a perfuração desfazendo o material, cujo mostrador indicava como uma combinação de ferro e basalto vulcânico, até que subitamente...

O alerta de minério desconhecido piscou no mostrador, e desativou a perfuração.

Alam ficou intrigado, conferiu a tela de cristal do equipamento e não havia dúvidas, o texto era claro, Metal Desconhecido Encontrado, iniciar procedimento indicado na diretriz 7 – verificar menu de opções.

Droga..., praguejou. para si mesmo, acho que teremos novidades ...

Alam só não sabia o quanto...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Um Vôo diferente – Ao Ouvidor da TAM



Na verdade escrevo esse texto não sabendo se realmente existe ou não essa entidade(ouvidoria) nessa prestigiosa organização. Se não houver minha sugestão e que rapidamente ela seja criada e se existir transmitir minhas sinceras condolências pelo falecimento da qualidade e consideração da sua empresa para com seus clientes.

Assim com o objetivo de desabafar e alertar aos senhores para que ações internas de melhoria da gestão e capacitação dos seus colaboradores sejam realizadas passo o descrever o caso pitoresco que ocorreu comigo, agora mesmo, dia 12 de julho de 2007, esclareço ainda que o caso nada tem haver com os atrasos constantes, que sempre são imputados a outrem e que pude observar que, na sua maioria, não o são, mas vamos ao caso.

Lá estava eu, “feliz” após acordar as 03h00 para pegar o vou 3501, que partiria as 05h40 da bela cidade de João Pessoa, onde residia, com destino a Florianópolis a também bela capital de Santa Catarina, vamos desconsiderar o atraso de 1 hora, bem voltando ao relato tudo certo um belo equipamento tapete vermelho (acho que para disfarçar a raiva no rosto dos passageiros) as tradicionais balinhas e tudo mais, pouso em Sampa conexão para Floripa – vou 3515 mais 1 hora de atraso também desconsiderado no meu irritômetro.

Ai ocorreu o caso o fato mais curioso que já pude ver... Tam...Tam...

Aproximadamente ás 13h30 (tenho 1,84 sem comer a aproximadamente 8 horas)

- Prezados passageiros vamos dar início ao nosso serviço de bordo, será servido um delicioso cachorro quente acompanhado de Coca-Cola, Coca-Cola Ligth , Quaraná, etc, etc. - imaginei logo um cachorro quente bom como o da Paraíba. É uma refeição – molhos, carne moída, batata, cebola, etc... .Recomendo, tem em qualquer carrocinha da praia ao sertão.

- ...e lá vem ela sorridente me entrega uma caixinha (até bonitinha) com um pão careca e um salsicha dura e fria – o pão estava tão seco que se batesse no chão furaria a fuselagem da aeronave, o chamado cachorro-quente de quente só tinha o nome.

Sr. catechupe, mostarda ou maionese – falou ela - mostrando essas almofadinhas de temperos que tem a vontade do freguês em qualquer lugar e até nas lanchonetes dos aeroportos.

- com fome, e vendo o pão seco pedi decidido... Os três um de cada, por favor.

Sr. Lamento.Sr. Sr... apenas um por passageiro... ou catechupe ou mostarda ou maionese...

- estupefato, perguntei você esta brincando não é ?

Não Sr. Lamento.Sr. Sr... apenas um por passageiro... ou catechupe ou mostarda ou maionese...

E lá tive eu que engolir o horroroso pão seco com alguma coisa que nem sei bem o que era já que ela escolheu o que iria me passar, meu irritômetro estava no máximo.

Ora Sr ou Sra. Ouvidora da TAM isso foi o fato mais ridículo que já presenciei, com certeza o comandante Rolim deve estar se rolando em seu sepulcro. Esse detalhe mostra o descontrole e total falta de preparo dos seus profissionais, num momento crítico por que passa o setor aéreo no País.

Mas não acabou...

Não o bastante, pouso em Curitiba, decolagem...Tam ..Tam...

Senhores passageiros em comemoração aos 31 anos da TAM vamos oferecer um delicioso salgadinho e um taça de champanhe a todos...

- Puxa... pensei. eu com os meus botões finalmente resta uma esperança no ar (literalmente).

- E lá vai... salgadinho (muito bom – mistura de amêndoas, passas, castanhas) e o Champanhe...quando chegava a minha fila 08 – (início da aeronave) o avião naturalmente deu início ao procedimento de pouso, claro ele balançou e o serviço de bordo interrompido...

E... Tam...Tam...

Prezados passageiros... Tendo em vista o processo de pouso o nosso serviço de bordo fica cancelado...

Ora e porque começou... Total falta de percepção e planejamento. Uma aeronave com 100 passageiros sendo servido por duas comissárias para aproximadamente vinte minutos de vou.

Tenho até hoje minha boca salgada sem o prazer de sorver o famoso liquido oferecido em comemoração aos 31 anos.

Há todos esses fatos podem ser comprovado pela minha colega Ouvidora Claudia da Celtins.

A propósito o fato virou motivo de minha narrativa constante no Curso para Ouvidores e Ombudsman, promovido pela OMD no hotel Castelmar, cuja minha participação resultou nessa tão pitoresca jornada e onde também pude ver muitos comissários e comandantes da TAM, pelo que pude perceber muito bem servidos.

Escrevi este texto uma semana antes do trágico acidente que vitimou dezenas de pessoas em São Paulo, e assim, por respeito a todos os envolvidos, nunca foi enviado ao Ouvidor da TAM.

Re Evolução - Capitulo 01

Capitulo I
Gênesis.

E na imensidão do espaço onde o maior inimigo era o próprio tempo ela vagava...

Dezenas, centenas ou milhares de anos já haviam passado desde a sua partida, a determinação desta unidade dimensional era impossível, desde a colisão com o grande cometa, que causou danos a parte interna dos sistema dos controle direcionais e de processamentos secundários.

A falha na antecipação do impacto, deveu-se a forte interferência eletromagnética causada pela súbita explosão de uma super nova, no quadrante espacial em que ELA se encontrava no momento. Felizmente a unidade principal de comando e inteligência haviam se preservado, mantendo-a consciente e ainda em atividade garantindo que a missão ainda poderia ser completada, na verdade sua maior defesa foi seu gigantismo, que se eqüivalia a de um pequeno corpo celeste.

Durante sua jornada, havia passado por milhares de estrelas, vários mundos..., quanto conhecimento armazenado, quanto silêncio no correr das eras.

No entanto sua estática era apenas aparente , a velocidade de cruzeiro era mantida, centenas de censores vasculhavam as imediações do espaço próximo, na tentativa de encontrar o seu objetivo. Os dados estatísticos eram agora desfavoráveis, após cruzar o centro da galáxia, onde a aglomeração estelar era imensa, encontrava-se perto do vazio, mais algumas centenas de unidades de tempo, e estaria rumando em direção ao nada entre as galáxias.

Foi quando a improbabilidade matemática era evidente que subitamente os censores de longo alcance deram o alarme, a princípio apenas um fraco sinal e após algum tempo uma certeza evidente.

Havia em um dos quadrantes próximos em um dos braços secundários da galáxia, um planeta com as condições a tanto procuradas. Milhares de cálculos e checagens foram realizados, sondas de verificação foram lançadas, e no seu retorno, após as análises estava confirmado, sua missão estava chegando ao fim.

Muitas outras unidades de tempo haviam se passado desde a detecção do sinal, até chegada ao ponto, preparação e conclusão da tarefa a tanto designada, apesar de ser uma entidade cibernética, tudo dera conforme o planejado e a única falha foi a perda de uma pequena sonda , um certo júbilo eletrônico, quase que de alegria, invadiu seus circuitos quando os propulsores foram novamente religados afastando-a do ponto de desembarque.

Lá ao longe a primeira parte da sua missão fora concluída, o desembarque de uma delicada carga, dois seres a muito preparados...

...um homem e uma mulher, no terceiro planeta de um sol amarelo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Tempestade na Represa



Essa foi uma daquelas que a gente não acredita de como entrou, mas é totalmente real...

Bem vamos lá...

Nessa época eu morava em Juiz de Fora uma cidade mineira famosa por ser Carioca ou assim os mineiros de Belo Horizonte pensam...

Mas tava lá de bobeira nas férias de julho de 1977, após terminar as aulas quando chegou Meneguete. Meneguete era um colega que morava na mesma rua trazendo Vantuil, outro colega me convidando para irmos passar o fim de semana na sua granja as margens da represa de Juiz de Fora, beleza eu e Sérgio estamos dentro... (Sérgio era meu Irmão).

E ai fomos... mochila nas costas esperar a marinete, marinete mesmo, um lotação velho que passava uma vez por dia às 08:00 horas da manhã no ponto em frente a estação Mariano Procópio.

Fizemos sinal e a marinete parou, oi seu Zé tudo bem, perguntou Meneguete...

Cês vão pra sua granja ??

Vamo ...

Oia o tempo não ta muito bom, ces tão sabendo que se chuve eu não subo...

Tudo bem... não vai chuve não seu Zé vai dar tudo certo, falo Mené.

Neste ponto eu já fiquei meio desconfiado, mas o dia estava bonito não tinha nuvens no céu...vamos lá...

Embarcamos, Eu, Sérgio, Vantuil e Meneguete... todos na Marinete (rimou).

Para quem não conhece a represa de JF, ficava, na época, muito longe da cidade e era permitida a visitação e passeios de barco, até onde eu sei hoje isso foi proibido e um belo cartão postal de JF foi abandonado. Para chegar lá tinha evidentemente (tem morro em Minas, sô) que subir uma serra já que a represa fica num nível muito mais alto que a cidade, contida pela serra.

O passeio foi agradável, morro acima numa estradinha de barro batido muito verde e contrastando com o azul do céu... Tudo lindo até ai...

Chegamos e nos despedimos do se Zé e seu cigarro de palha, impressionante ele foi da cidade a represa pitando o mesmo cigarrinho...

A represa estava linda refletindo o céu azul as árvores .... etc....

Eu e Sérgio estávamos mais acostumados ao mar, mas a água doce era gostosa e passamos boa parte da manhã nos refrescando e pescando lambari e assando na fogueirinha, ali mesmo. sabeeee... muito gostoso.

Bem ai... Vantuil viu a canoa...
Alá pessoal vamos pedir emprestado a canoa pra dar uma voltas na represa??

Meneguete falou... A canou é da Dona Zefinha... amiga do meu pai podemos pegar a vontade ela não vai achar ruim não...

Bom foi ai que as coisas começaram a dar errado...

Entramos os quatro na canoa e fomos remando ou melhor empurrando com uma vara a canoa que se deslocava cada vez mais distante. A represa devia ter uns 2 km de largura e quando estávamos exatamente no meio deu-se o fato...

O tempo subitamente virou, virou mesmo acho que as nuvens estavam escondidas do outro lado da serra e chegaram com tudo. O céu de azul ficou avermelhado e um vendo forte começou a soprar fazendo a canoa rodar no seu eixo com os quatro patetas dentro.

Ai começou a chuva... Granizo... cada pedra... pessoal não dá pra agüentar vamos pular na água comentei e assim fizemos a água quentinha deu até um relax mas as pedra continuavam a cair cada vez mais forte..., vamos virar a canoa e entrar em baixo alguém comentou... e assim fomos... o barrulho era terrível, parecia que as pedras iam fura a canoa....

Imagine a cena naquele momento... eu debaixo da canoa, dentro da água, segurando nos banquinhos com mais 3 caras tentando não afundar... olha... nessa hora me lembrei tanto da minha caminha quente e da mamãe...

Mas vamos lá não tinha jeito, pessoal vamos nos organizar batendo os pés rumo à margem pelo menos não ficamos parados aqui de bobeira...

E assim fizemos, que cena... uma canoa emborcada dentro d’água, andando sozinha para margem...

Mas chegamos, chegamos do outro lado da margem em que ficava a casa... o granizo parou agora era uma chuva pesada cada pingão...

Cansados e sem disposição iniciamos a marcha rumo ao outro lado dando a volta na lagoa, já que pela água não dava... e assim fomos andando uns 2 km ainda faltava muito... a chuva parou, bom ??? não um sol de montanha saiu quente... junto com ele veio uma onda de mosquitos e formigas voadoras perturbando nossa marcha...

Finalmente 2 horas depois... casa a vista e... olha que estava nos esperando ??? Dona Zefinha P. da vida que foi logo dizendo...

cadê minha canoa seus minino atoa pega as coisa dos outro sem pidi...

Meneguete se apresentou bravamente e explicou a situação ... mas não teve jeito tivemos que voltar tudo e pegar a canoa... bem ai retornamos até que a volta foi fácil... mas a hora já estava chegando... tinhamos de pegar a marinete as 18:00...

Após a correria de guardar tudo chegamos ao ponto... e cadê a marinete??? Lembra se chuve eu não subo... e não subiu mesmo...

Resultado tivemos que passar a noite na caso do Meneguete, sem comida, café e o mais terrível SEM TELEVISÂO A NOITE...

Essa foi uma furada, mas têm outras... Oportunamente vou contar...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A Couve-Flor da Dona Norma




Hoje acordei com saudades do passado, acho que é por que estou me aproximando dos cinqüenta, estou meio nostálgico, coisas da idade... .

Bom um fato é que quando estou com saudades do passado lembro logo de um belo prato feito pela dona Norma.

Dona Norma para os que não sabem ainda é minha digníssima Mãe. Mãezona daquelas de antigamente que se dedicava exclusivamente a casa ao marido e filhos, principalmente a estes. Hoje com os filhos criados e distantes ela tornou-se uma eximia pintora de porcelana e até já ensaiou uns passos na Internert.

Dona Norma faz muitos pratos deliciosos, mas um em particular me deixa com água na boca e saudades, a Couve-Flor a Milanesa. Para alguns um prato simples, mas de uma consistência e sabor inigualável principalmente quando feito por ela.

Como moro atualmente na maravilhosa cidade de Aracajú, Capital da Qualidade de Vida, com certeza, tenho apenas uma desvantagem...

Couve-Flor no Nordeste é cara e não tem a qualidade das produzidas nas serras do Estado do Rio ou Minas, onde passei grande parte da minha infância, assim fico na saudade, e quando vou visitá-la em Juiz de Fora, tiro a barriga da miséria.

Mas vamos ao prato...

Peque uma Couve-Flor da Serra, falo da serra porque uma unidade pode pesar até dois quilos fácil,

Lave bem com água corrente, tirando as folhas (tem gente que come as folhas também, mas eu nunca experimentei), cuidado, pois costuma ter umas lagartinhas...

Separe os ramos grandes dividindo o vegetal, ponha numa panela com água e um sal a gosto e deixe cozinhar por alguns minutos, cuidado não pode ficar muito mole senão desmancha na fritura.

Prepare os ingredientes comuns para milanesa, ovos, farinha de rosca, etc.

Após o cozimento passe os ramos no ovo, na farinha e frite em uma frigideira velha e feia, com muito óleo de milho, escora e um recipiente coberto com papel toalha (na época minha mãe usava papel de pão) sirva ainda bem quentinha.

É mais ou menos isso, mas para mim o importante é a lembrança da infância, dos tempos de menino, quando eu e meus irmãos ficávamos horas em cima do telhado de casa olhando para o céu a procura das pipas nos dias de vento quando ouvíamos aquela vozinha lá em baixo chamando...

Meninos... O almoço ta na mesa...

sábado, 22 de agosto de 2009

A Noite dos Caranguejos

Estou morando e espero continuar a morar, em Aracaju, uma cidade linda e agradável, com características únicas, que oportunamente comentarei, mas o fato é que um dos pratos mais apreciados aqui é o caranguejo cozido na água, sal e temperos.

Frequentemente vou ao Amanda, um barzinho legal na Orlinha e com Ana (minha metade) peço uns bons exemplares para degustar com uma cerveja de marca GELADA. É um típico programa de quinta-feira à noite, não sei por que da quinta, mas é o fato.

Cada vez que saboreio um desses crustáceos, me vem à lembrança mais uma das minhas memórias passadas na cidade do Rio de Janeiro, onde nasci e permaneci até meus 14 anos. Uma delas envolve vários elementos dessa espécie tão apetitosa, mas também bem perigosa se não tratada com cuidado.

Um dia fui com meus amigos e seus pais a uma pescaria, frequentemente, íamos a Restinga da Marambaia um paraíso freqüentado por poucos já que era uma base da marinha, sendo o pai desse meu amigo da aeronáutica tinhamos acesso e podíamos entrar. Não sei se vocês conhecem o lugar é fantástico, de um lado o mar azul e límpido do outro um mangue repleto de canais onde proliferam ou proliferavam (não sei mais como está já que há muito não tenho noticias do lugar) peixes, camarões, siris, caranguejos e outros frutos do mar.

Bem foi lá que conhecemos Neraldino. Neraldino era um pescador de caranguejo que burlava a fiscalização da marinha e entrava por traz do mangue nadando para obter seus preciosos pescados. Naquele dia Neraldino pegou um saco repleto do crustáceo e como a maré estava cheia não havia possibilidade de ele passar com o saco e nadar para atravessar o canal que separava a restinga do continente, assim ele ofereceu o saco completo de 50 quilos com aproximadamente 100 caranguejos para o pai do meu do meu amigo (seu Vicente).

Feito o negócio nos dirigimos a casa da praia que ele possuía em Sepetiba, outro lugar que aproveitei muito e que não mais tenho notícias. Bem lá chegando após muita diversão o saco foi deixado de lado num dos quartinhos, onde as tralhas de pescas eram guardadas, esperando o próximo dia quando em fim os mesmos teriam como destino o caldeirão do Moa (Moa de Moacir, irmão do pai do seu Vicente).

Noite cai, sono, cansaço de folia de praia, colchões pelo chão... E por volta das cinco da manhã , sinto algo a me beliscar no nariz, bato , mexo, viro, mas nada, cansadamente, abro os olhos e no susto grito... UMA ARANHA GIGANTE, CUIDADO..., com meu berro de susto todos acordam e a cena é no mínimo curiosa, os bichinhos se soltaram da sua prisão durante a noite e invadiram nossos quarto, era caranguejo para todo o lado, nas camas, trepado nas cortinas, no armário, sofá e até em cima da TV. foi realmente uma manhã inesquecível e agitada. Há... após o recolhimento o caldeirão do Moa foi pro fogão
com os fujões.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O caso da velhinha.



Logo que chequei a um das novas empresas do grupo que trabalhava, deparei-me com um caso que achei muito peculiar. Nessa empresa em particular a agência de atendimento ao consumidor, ficava dentro da própria sede. Assim todos os dias uma série de consumidores passavam por ali solicitando os mais diversos serviços de atendimento comercial.

Minha sala era um pequeno aquário recuado, de onde eu podia contemplar todo o movimento de entrada, saída e de atendimento aos clientes. Assim comecei notar que uma determinada senhora, quase todos os dias estava presente na nossa agência de atendimento e comecei a ficar curioso com o fato, o que essa velhinha tanto tem a pedir ou resolver na empresa, será que é algum problema mais sério ? Será que seria a intervenção da ouvidoria?

No final desse dia chamei a chefa da agência de atendimento e perguntei sobre o fato:

- Eladir, reparei que tem uma senhora que todos os dias vem a nossa agência, qual é o problema que a traz todos os dias aqui ? Não estamos podendo resolver?

- Não é problema não, essa é dona toinha, ela vem aqui bater papo, tira uma senha de atendimento, fica esperando e quando é atendida, dana a falar com o atendente, conta casos e pergunta da vida de todo mundo, depois vai embora;

Preocupado com a eficiência não tive dúvidas;

Eladir, faça o seguinte essa senhora esta prejudicando nosso atendimento, em função do seu bate papo, outros clientes que realmente necessitam de atendimento não estão sendo ouvidos dentro do prazo esperado, não podemos continuar atendendo dona Toinha. Assim quando ela vier, registre a senha dela e passe sempre para o próximo cliente;

No dia seguinte, Eladir não teve dúvidas dona Toinha, como de costume apareceu para bater seu papinho tradicional com as atendentes, Eladir verificou a senha de atendimento e passava sempre para o próximo cliente quando deixando-a esperando.

Achei que essa medida iria resolver problema e quando vi através do meu aquário que tudo ia andando bem, resolvi verificar a chegada de uns equipamentos de medição e me retirei da sala.

Trinta minutos depois Eladir entra pela sala onde me encontrava, branca e apavorada....

Dr. Vinicius... dona Toinha ta passando mal, ela reclamou que esta demorando muito a ser atendida e começou a ter um treco, o que fazemos ?

Preocupado que a velhinha tivesse um enfarte na agência não tive dúvidas, Eladir chame um táxi que presta serviço para a empresa coloque dona toinha no carro e a encaminhe para casa.

Feito isso e passado o problema momentâneo achei que o caso estava resolvido, achado que depois do ocorrido dona toinha não iria mais aparecer..., ledo engano....

No dia seguinte, lá estava dona toinha como sempre alegre e saltitante, esperando a agência abrir, para efetuar seu papinho diário.

Chamei Eladir e pedi;

Chame dona Toinha a minha sala que eu vou conversar com ela;

Serelepe e feliz dona Toinha adentrou no meu aquário, fechei a porta e comecei a conversar, ou melhor, a ouvir, ela falou cerca de meia hora, de tudo, menos de alguma necessidade real em relação a empresa, assim comentei com ela que ela seria sempre bem vinda a minha sala, e expliquei que o atendimento comercial não podia ficar ocupado por assuntos divergentes da função original, etc.. etc... etc....

Ela me ouviu com atenção afirmou que entendeu tudo, e por final disparou... é tá até na minha hora, o cê já chamou o táxi pra me levar ???

Quer mais ???

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Meu Ovo Frito

No outro dia eu estava lembrando da minha infância e recordava de muitas das minhas brincadeiras e travessuras, como estava na cozinha preparando um lanchinho lembrei de alguns pratos muito saborosos que minha mãe fazia entre eles o singelo, mas fundamental, ovo frito.

Curiosamente percebi que o ovo em meu sanduíche caseiro não tinha o mesmo paladar do ovo frito de outrora. Por que seria? Bem galinha sempre foram galinhas, ovos sempre foram ovos, mas... será mesmo?

As galinhas de antes não recebiam tantos hormônios como hoje na verdade elas eram criadas de forma diferente, mesmo as de granja não eram fabricadas como hoje em dia, digo, fabricadas, por que vi em um programa, agora não me recordo muito bem qual, uma granja fantástica que do pinto ao ovo tudo é automatizado. Mas, voltando ao assunto o que faltaria em meu ovo frito para ficar como o da minha querida mãe.

Pensei em ligar, mas achei que seria de mais, às 22 horas ligar para perguntar sobre ovo frito!

Refleti como eu fiz meu ovinho... Há minha frigideira anti-aderente uma gotinha de manteiga só para tostar e um pitadinha de sal, fogo baixo e logo o requintado prato esta pronto.

Então comecei a lembrar de quando minha mãe me ensinou a fazer os primeiros ovos fritos...

Ovos, comprado na quitanda do seu Joaquim, de 12 pelo menos dois se estragavam, coisa que não vejo hoje... Estranho não?

Frigideira... Era de chapa de ferro preta e feia, funda e grande...

Manteiga, que nada, banha de porco vendida em lata, uma colher de sopa cheia...

Fogo, médio de um fogãozinho com gás de bujão comum.

O preparo era básico... , deixa a frigideira esquentar um pouco, joga a banha de porco espera derreter, quebra o ovo num pires, pra ver se está bom, jogas na frigideira, uma pitada de sal em cima da gema, e com uma colher vai pegando a banha derretida e jogando em cima do ovo... Ai a gema vai ficando branquinha e vai cozinhado quando estiver no ponto é só tirar, nada de agarro a banha não deixa.

Lembrado do tema, vamos a prática. Como não tinha banha de porco derreti na minha super-frigideira de Teflon II um pedaço de toicinho peguei uma panela velha e nela joguei a gordura derretida, aqueci um pouco e coloquei o ovo, o sal e com uma colher fui trabalhando a cor da gema jogando a gordura em cima até ficar assim meio desbotada.

Primeira dentada.

Há... , outra coisa...

Saudável, acredito que não, calorias umas 5.000 no mínimo...

Mas o sabor nem dá pra comparar, coisas da infância, cujo valor não tem medida nem receita e sim boas lembranças.