quinta-feira, 12 de novembro de 2009

DONA NORMA



Dona Norma, essa Teresopolitana, que morre de medo de pererecas (acho que e trauma, pois em Teresópolis tinham muitas), nascida no dia 13 do mês de novembro é minha querida e estimada mãe.

Em algumas das minhas crônicas ela tem passagem relâmpago, mas hoje decidi escrever mais um pouco sobre essa pessoa tão importante para mim e muitos outros.

Difícil dizer a primeira lembrança real e palpável que tenho dela (dentro da barriga não conta), mas uma delas é guando ela recolhe com carinho meu irmão mais novo (Sérgio) coberto de pó de café após ter derrubado um pote inteiro, em cima dele mesmo ao puxar a toalha da mesa (acho que foi isso) eu só me lembro de uma coisinha preta com dois olhinhos brancos assustados sendo levado para o banho, o fato me marcou...

Da porta do banheiro observava minha mãe pacientemente retirando as roupinhas e lavando aquela criatura com cuidado e um sorriso de quem, apesar do susto, se divertia com a situação. Acho que eu devia ter uns quatro anos ele três anos.

Mais tarde outra lembrança marcante foi ela perguntando a mim e ao Sérgio se nós não gostaríamos de ganhar um novo irmãozinho, importante era que nós negociamos... Mas ele vai brincar com a gente? É menino?

Acho que ela já devia estar quase para ir para a maternidade, pelo o que lembro logo ele veio... Márcio meu segundo irmão...

Dona Norma sempre foi muito amorosa e dedicava-se a seus filhos em tempo integral. Muito alegre, ela sempre estava rindo e de vez em quando, aprontava uma conosco, pregando alguma peça.

Mas também foi exigente... Lembro dela dando umas boas palmadas no meu traseiro, só porque fiz uma pirracinha na rua...

Lembro dela me tomando a tabuada, na soleira da porta da cozinha da nossa casa no bairro Jabour, e braba... porque eu não me concentrava...

Lembro de muitas e muitas coisas das comidinhas, das roupinhas que ela bordava e eu ia entregar, dos seus cuidados quando adoecíamos, dos passeios de fusca com toda a família, cachorro quente na Restinga, pescaria no mangue..., muitas e muitas idas a Petrópolis, nossos primeiros passeios de fusca a Brasília, Curitiba, Juiz de Fora, Belém, Manaus, etc. Nestes passeios ela era sempre a mais animada puxando sempre o barco.

Não sei se ainda existe isso, mas no meu colégio sempre havia uma festinha no dia das mães, os meninos e meninas se esforçavam a fazer um presente, com as próprias mãos, simples e baratinho já que os tempos eram outros... e a escola era pública.

Um pente, um grampo de cabelo decorado e personalizado, que não só dona Norma recebia com alegria e com lágrimas nos olhos, mas também todas as mamães ali presentes.

Já nessa época era metido a escritor, lembro de uma redação que fiz e li para a classe no dia da festa, e que falava sobre a delícia do seu franguinho assado... Como podem ver eu já gostava de escrever sobre comida.

Lembro de momentos não muito agradáveis, como a batida com o fusca novo no muro da Dona Janete (outra grande mãe), do acidente na Serra de Petrópolis, das inúmeras vezes que ela me levou para o pronto socorro, quando eu furei o dedo da mão, o pé, o olho (poxa eu não era mole hem?), mas também teve meus irmãos igualmente socorridos.

Após muitas e muitas aventuras juntos, Dona Norma aos 42 foi novamente premiada e nasceu o Dr. Carlos Eduardo, doutor porque nesta época, eu já tinha 22, ela queria que ele fosse médico, dai o nome pomposo, segundo ela, esse era um nome de médico (o mesmo eu quis para os meus filhos, também sem sucesso), mas acabou Dr. Advogado e Raphael, meu primogênito, esta indo para o mesmo caminho.

Como eu era o filho mais velho e único com carteira de motorista, essa época foi muito curiosa, meu pai trabalhando e eu levando minha mãe de barrigão, para fazer exames, num Passat Vermelho Real (Abobora) - Super Incrementado (lindão).

Bem e assim foi...
Escrevendo sobre dona Norma percebo que escrevo um bocado sobre eu mesmo, é difícil de separar, mas a vida anda...
Com 27 aninhos casei com minha metade, Ana Cristina, e ela estava lá, firme me levando ao altar, toda bonitona. Acho que com o casamento, acrescentei uma tão esperada filha, a vida dessa mãe, além de três lindos netos (modéstia a parte claro).

Hoje estamos todos longe dela, ela morando em Juiz de Fora, eu em Aracaju, nosso saudoso Sérgio partiu. Márcio e Carlos Eduardo em São Paulo e infelizmente eu não poderei estar presente para dar um apertado abraço de Feliz Aniversario neste dia 13 de Novembro.

Dona Norma postei este texto no meu Blog, neste dia, para homenageá-la e agradecê-la. Sei que é muito pouco pelo muito que você fez e faz até hoje, pelos seus filhos, noras, netos, sobrinhos, irmãos e todos que de uma forma ou outra tiveram e tem seu carinho, amor ou amizade.

Um grande abraço apertado, muitos beijos e carinho neste dia tão importante para todos.

Do seu filho, da minha família e com certeza de todos os seus filhos que estejam onde estiverem, estarão sempre ligados a você.

Marcus Goettenauer.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Meu Tio Jorge



Tenho muitos tios gosto de todos, assim que os outros não fiquem com ciúmes, logo posso escrever sobre você... Tio Ciumento, mas sempre, por vários fatores, lembro muito do meu tio Jorge.

Mas voltando a ele... Tio Jorge é um cara muito legal... ele é um dos irmãos mais novos da dona Norma, tem o Sérgio, outra figura, assim minha diferença de idade com ele deve ser de uns 10 anos. Lembro bem dele visitando nosso apartamento no Meier , bairro do RJ onde nasci, fazendo estripulias lá em casa comigo e os manos. I
amos pegar peixinhos no lago do jardim, catar canudo de mamona para fazer bolinhas de soprar coisa de uma infância inocente e feliz que acho que não existe mais...

Uma vez teve um terremoto... é um pequeno tremor de terra, e o prédio, deu uma leve sacudida isso foi nos anos 60 hem!!! faz tempo mais ocorreu...

Lembro que os vizinhos ficaram todos alvoroçados e Jorge não podia deixar passar, apavorou mais a todos, disse que estava dormindo e a cama dele foi atirada do outro lado do quarto, foi um espanto só, mentira... ele nem percebeu, mas rimos muito... principalmente da Dona Dalila, uma vizinha muito gente fina, mas muito assustada.

Bom, ao longo da minha vida tenho acompanhado a vida dele, fui até ao seu casamento com a tia Glória, uma mineirinha de Mar de Espanha, que acabou em Petrópolis, alias Jorge e a maioria (ou todos) os meus parentes moram em Petrópolis ou Teresópolis.

Mas... Há!!! O ponto forte da Festa foi o bolo todo furado pelos sobrinhos queridos, Sergio, meu irmão, Serginho, Sheilinha, Marquinhos (Eu ? será que tava nessa ??)...

Bem, Jorge teve muitas profissões, foi soldado no glorioso batalhão, onde sua principal atividade era se clone do Elvis Presley, é o cara não era fraco não, ligado na onda, o comandante o chamava para animar as festas e parece que ele levava jeito para o negócio.

Depois, pelo que sei, ele foi trabalhar na Gráfica Petrópolis, onde ficou muito tempo. Posteriormente ele arranjou com Guedes, não sei quem é Guedes, mas sempre ouvi falar nele em frases assim, já arranjou um emprego com o Guedes ??? e Guedes ?? essa figura é um mistério...

Bom ele foi trabalhar numa funerária, imagina Jorge numa funerária, era motorista, guarda, etc. Suas histórias sobre essa etapa da vida dão para escrever um livro, muito engraçado, e às vezes, muito triste.

Em um episódio, ele conta que em num enterro no cemitério de Petrópolis, o caixão escorregou morro abaixo e lá se foi o indivíduo surfando na lama até a cova mais baixa, noutra, ele conta que trazendo uma “encomenda” do Rio para Petrópolis, na madrugada, no meio da serra, ouviu ruídos na parte de traz do carro onde estava alojado o dito cujo e não teve dúvida, subiu a serra a 100 por hora sem olhar uma vez para traz.

Depois foi transportar meninos de um colégio, mas acho que ele não gostou muito... eles faziam muito barulho.

Hoje Jorge está aposentado, mas como todo bom aposentado, continua trabalhado muito, dizem que virou um pintor de primeira linha (informação confiável de dona Norma), mas o seu principal mérito, foi de apesar de todas as dificuldades por que passou manter-se íntegro, construiu uma linda família com sua mineirinha, tiveram quatro filhos, três meninas (Cristina, Elizabete e Víviam) e um rapaz (Jorge Augusto), meus primos, e que devem ter como eu, muito orgulho do Tio Jorge.